Madame Bovary

Madame Bovary - Gustave Flaubert
Creio que é intitulado "o romance dos romances", mas eu não diria tanto.
Um bom romance de época, com todos os ingredientes inerentes e convenientes a uma boa leitura, mas fiquei a pensar que o nosso Eça fez melhor, Tolstoi fez melhor.
As insatisfações de Emma, a tentativa de ter e ser feliz, até ao trágico desfecho, fazem-nos companhia durante muitas páginas em que, por vezes, apetece abaná-la para que acorde e valorize o que está à sua volta.
Não importava! não era feliz, nunca o tinha sido. De onde vinha então essa insuficiência de vida, esse apodrecimento instantâneo das coisas onde se apoiava?... Mas, se havia em alguma parte um ser forte e belo, uma natureza valorosa, cheia ao mesmo tempo de exaltação e de requintes, um coração de poeta sob uma forma de anjo, lira de cordas de bronze, lançando para o céu epitalâmios elegíacos, porque seria que ela não havia de encontrar? Oh! que impossibilidade! Nada de resto, valia a pena ser procurado, tudo mentia! Cada sorriso ocultava um bocejo de tédio, cada alegria uma maldição, cada prazer o seu desgosto, e os melhores beijos só deixavam nos lábios o apetite irrealizável de uma voluptuosidade mais sublimada.
